Além das entrelinhas

A vida de quem trabalha com conteúdo pode, às vezes, ser um pouco ingrata. Muitos jobs não autorais, alterações de escopo ou de tema na última hora, limitações de linhas, colunas, número de palavras, de caracteres…

No entanto, quem ama escrever não troca esse tipo de “problema” por qualquer outro. Produzir conteúdo – assim como edita-lo ou traduzi-lo – é uma arte que requer sensibilidade, pois muitas vezes precisamos, tal como um ator ou atriz, “incorporar” o cliente, entrar em sua mente e entender não só como pensa, mas exatamente qual mensagem quer transmitir.

Quando trabalhei como assessora de imprensa em uma instituição de ensino, lidava diretamente com o alto escalão da minha unidade, que era composta por vários programas de educação executiva. Tive que aprender rapidamente a navegar em um mar de informações que às vezes se complementavam e, às vezes, se contradiziam.

Ao desenvolver releases e outros textos institucionais, precisava dar o mesmo espaço a todas as unidades, sem privilegiar nenhuma. Com isso, aprendi também a criar conteúdos que comunicassem o propósito da instituição sem deixar de exaltar as particularidades de cada programa. Era desafiador, mas me ensinou muito sobre imparcialidade e equilíbrio, e sobre entender a voz de quem eu estava representando por meio daquele conteúdo.

Assim como quem cria conteúdos institucionais, que não podem ter assinatura, o trabalho dos designers também é “invisível”, mas, da mesma maneira, é essencial para atrair um público interessado no que uma marca tem a oferecer.

Texto e design são elementos indissociáveis na editoração de produtos como livros e catálogos, sites institucionais e peças de campanha.

Um simples e-mail, ou newsletter, não irá comunicar a mensagem e a missão de uma empresa de modo eficiente se não unir aqueles dois elementos perfeitamente, sem “costuras” aparentes.

Assim como em um terno italiano de milhares de reais, em um projeto editorial o acabamento deve ser praticamente imperceptível para quem vai usufruir daquele material. A união entre texto e design deve ser harmônica e indivisível, criando um terceiro elemento que é a razão para todas as noites de sono mal dormidas e os almoços perdidos: a publicação.

É muito importante é entender e respeitar a voz do cliente, infundindo-a em tudo que é criado. É essa identidade que deve guiar um projeto e definir a linguagem utilizada, as imagens escolhidas e as decisões de design. É ela que deve ficar clara e em absoluto destaque em todos os materiais com a marca do cliente. É ela que vai falar com o seu público, tanto aquele que você já conhece, quanto aquele que você quer conhecer.

Juliana Alvim

Jornalista, tradutora e aprendiz de acadêmica. Apaixonada por Berlim, seu sonho é ser fluente em alemão antes de completar 60 anos. Ainda faltam 25 anos para chegar lá.

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